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Mariita, viúva do ex-governador Marcelo Miranda, morre aos 84 anos

O ex-governador Marcelo Miranda com sua esposa Mariita.

Marcelo Miranda faleceu no último dia 23 de junho; Mariita, 18 dias depois. O velório e enterro será amanhã (12), em Paranaíba.

O município de Paranaíba (MS) se prepara para prestar as últimas homenagens a Maria Antonina Lopes Cançado Soares, conhecida como Mariita, que faleceu aos 84 anos, neste sábado, 11 de julho, Dia de São Bento, em São Paulo. O velório e o sepultamento serão realizados em sua cidade natal, Paranaíba, onde ela construiu parte significativa de sua história ao lado do ex-governador de Mato Grosso do Sul Marcelo Miranda Soares, falecido em 23 de junho de 2026. Velório (manhã) e enterro (à tarde) serão realizados na Capela da Pax Vida, Centro de Paranaíba.

Nascida em Paranaíba, Maria Antonina deixou o município ainda jovem para estudar em Uberaba (MG). Foi durante esse período que conheceu Marcelo Miranda Soares, com quem se casou. O casal retornou posteriormente a Paranaíba, fortalecendo uma ligação que marcaria suas vidas e a história da cidade. Pela intensa atuação em favor do desenvolvimento do município, Marcelo Miranda ficou conhecido entre os moradores como “o JK de Paranaíba”, em referência ao ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Maria Antonina foi primeira-dama de Mato Grosso do Sul durante os dois mandatos de Marcelo Miranda, exercendo papel de representação institucional do Estado naquele período.

Ao longo de sua trajetória, Dona Maria Antonina acompanhou de forma discreta, mas constante, a carreira pública do marido, que foi prefeito de Campo Grande, senador da República e governador de Mato Grosso do Sul por dois mandatos. Sempre preservando a vida familiar, tornou-se uma figura respeitada pela elegância, simplicidade e dedicação à família.

Ela deixa os filhos Ana Cecília, Ana Cristina, Paulo Eduardo e Paulo Henrique, além de netos, bisnetos e uma extensa rede de familiares e amigos.

O neto, o deputado estadual João Henrique Catan, destacou que a história da avó se confunde com a própria formação de Mato Grosso do Sul e com a tradição das famílias pioneiras de Paranaíba.

“Minha avó sempre teve um amor profundo por Paranaíba. Foi aqui que nasceu, constituiu sua família e escreveu sua história ao lado do meu avô. Ela pertence a uma geração de homens e mulheres que ajudaram a construir a identidade do nosso Estado. Seu legado permanecerá vivo na nossa família e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.”

FILANTROPIA

Além da dedicação à família e da vida pública compartilhada ao lado de Marcelo Miranda, Maria Antonina também deixou sua marca no trabalho social. Durante anos, atuou como incentivadora e apoiadora da Associação Juliano Varela, instituição referência em Mato Grosso do Sul no atendimento a pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Sempre sensível às causas sociais, contribuiu para fortalecer ações voltadas à inclusão, ao acolhimento e à promoção da dignidade de centenas de famílias, consolidando uma trajetória marcada também pelo compromisso com a solidariedade e o serviço ao próximo.

Uma curiosidade lembrada pelo deputado reforça essa ligação histórica. Quando foi criado o Estado de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda recebeu o Registro Geral (RG) de número 01. Já Maria Antonina tornou-se a portadora do RG nº 02 do novo Estado, um registro simbólico que representa sua presença desde os primeiros momentos da história sul-mato-grossense.

FÉ INABALÁVEL

A fé também foi uma das marcas mais presentes na vida de Mariita. Devota de São José, de São Bento e de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, ela carregava consigo, diariamente, as medalhas de São Bento e da Medalha Milagrosa, que costumava presentear familiares, amigos e pessoas por quem nutria especial carinho, como um gesto de proteção, bênção e esperança.

A Medalha de São Bento, um dos mais antigos sacramentais da Igreja Católica, simboliza a proteção espiritual e a confiança na força da Cruz de Cristo diante do mal. Já a Medalha Milagrosa teve origem nas aparições de Nossa Senhora à religiosa Santa Catarina Labouré, em 1830, na França, e tornou-se um dos maiores símbolos da devoção mariana, associada às graças concedidas aos que a recebem e utilizam com fé.

Sua devoção também se materializou em obras concretas: Mariita Cançado Soares idealizou e construiu duas capelas dedicadas a São José: uma na Fazenda Prata e outra na Fazenda Café, ambas no município de Paranaíba, deixando como legado não apenas sua fé, mas também espaços permanentes de oração e acolhimento para as comunidades locais.

Com sua partida, Mato Grosso do Sul perde uma personagem ligada à construção política e social do Estado e Paranaíba se despede de uma de suas filhas mais ilustres, cuja trajetória permanecerá marcada pela discrição, pela dedicação à família e pelo amor à terra onde nasceu.

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