Júri do policial Lucio é cancelado; defesa entrou com pedido de insanidade mental

0
1170

O júri de Lúcio Roberto Queiroz, que estava marcado para ser realizado no dia 14 de dezembro, próxima terça-feira, foi cancelado. A defesa entrou com pedido de exame de insanidade mental e foi acatado.


RELEMBRE O CASO


O policial militar ambiental Lúcio Roberto Queiroz Silva foi indiciado por duplo homicídio qualificado pelo assassinato de Fernando Henrique Freitas e duplo homicídio qualificado e feminicídio pelo assassinato da própria esposa, Regianni Araújo. A delegada do caso é Eva Maira Cogo, da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Paranaíba-MS.

O crime ocorreu na noite de 5 de outubro de 2019, após o policial ter sido informado de uma suposta traição do amigo Fernando com sua esposa Regianni. Primeiro Lúcio foi até a residência do amigo e o assassinou; depois, foi até a residência de seu pai, Ilton Cabral, e assassinou a própria esposa, onde também estava o filho do casal, de apenas 8 anos de idade, no centro de Paranaíba.

A delegada Eva Maira Cogo informou que Lúcio recebeu uma mensagem não visualizada e depois uma ligação de Isabelle Souza Valdez, esposa de Fernando, onde ela noticia uma suposta traição que teria acabado de descobrir. Segundo a delegada, para provar isto, Isabelle encaminhou alguns prints da conversa para Lúcio. Nos prints estava a conversa que a mulher de Fernando teve com a Regiane, se passando por ele.

Fernando havia chegado de um churrasco, deitou-se no sofá e foi dormir, quando sua esposa tomou posse do celular dele para ligar para o pai, mas começou a ver as mensagens que chegavam de Regiane, achando que eram vistas por Fernando, porém, Isabelle enviou para Lúcio. Nas mensagens haviam insinuações, mas, segundo a delegada, nada tão comprometedor como poderia se imaginar que fosse.

Para a delegada, seria uma suposta traição, já que no decorrer da investigação não ficou provado que em algum momento os dois teriam se encontrado, ou qualquer outra ação que prove alguma relação amorosa entre ambos. “De posse desses prints, o investigado pergunta para a esposa, que nega. Ambos estavam na casa do pai dele, nega que tenha traído. Ele sai com o carro e vai até a casa onde estava o Fernando”, explica a delegada.

Conforme demonstram as câmeras de segurança próximas ao local, Lúcio chegou, parou o carro próximo da esquina, foi até onde estavam a sogra e esposa de Fernando, além de uma amiga. “Essa amiga foi ao local advertir a esposa do Fernando pra que não contasse nada pro Lúcio, por temer o comportamento dele”, disse Eva Maira.

A amiga teria chegado ao local cerca de dois minutos antes para convencer Isabelle, momento em que Lúcio chega já com a arma em punho.

A delegada disse que as três mulheres tentaram convencer Lúcio a desistir da ação, mas não teve como. Ele foi até onde Fernando estava dormindo, deu um chute nas costas dele, que dormia de costas para a porta. Fernando logo ficou de pé e Lúcio pediu para ver as mensagens do celular, mas antes mesmo que o celular fosse entregue, Lúcio já disparou o primeiro tiro. A testemunha que presenciou tudo, para preservar sua vida, saiu correndo para fora, e Lúcio disparou mais quatro tiros contra Fernando.

Após praticar os disparos, segundo a delegada, Lúcio saiu caminhando calmamente até o veículo e saiu. No caminho de onde saiu até a residência onde estava Regianni, Lúcio efetuou duas ligações. Uma foi para o comandante dele, da Polícia Militar Ambiental de Aparecida do Taboado onde é lotado, dizendo que tinha feito uma besteira e teria que resolver a situação com a esposa. A segunda ligação foi feita para seu advogado.

Ao chegar na casa de seu pai, Lúcio desceu com a arma em punho, seu pai tentou convencê-lo de não praticar o crime, e teve uma solicitação para que o filho do casal fosse retirado da sala onde estava com sua mãe e levado para um quarto. Após isto, foram efetuados seis disparos de arma de fogo.

“Mesmo ela caída, ele deu um tiro nas costas, porque, apesar dela não ter levantado, tem esse tiro que veio pelas costas e atingiu o coração. A Regianni não teve nenhuma chance de defesa até porque o pai dele é categórico em falar, ‘ela não levanta do sofá’”, afirmou a delegada. O pai do autor tentou de todas as maneiras impedir que o evento ocorresse, mas não conseguiu, os seis disparos foram feitos e Lúcio saiu com seu veículo e fugiu.

Segundo a delegada, o filho do casal, de apenas 8 anos de idade, retornou para a sala após os disparos e presenciou a mãe morta toda ensanguentada no sofá.

A delegada informou que há feminicídio neste crime, envolve violência doméstica. “A Polícia Civil teve acesso a uma agenda de Regianni em que ela relata estar extremamente infeliz por ser diminuída no dia-a-dia pelo companheiro. Ela dizia que precisava mostrar para Lúcio que era capaz, que poderia ser alguém. Chegou a procurar advogado para saber como proceder com a guarda do filho.

Amigas da vítima testemunharam que havia momentos de agressão por parte de Lúcio. Ele também teria alguns casos amorosos fora do casamento. “Está apreendida nos autos uma agenda dela onde se mostra extremamente infeliz, uma pessoa que aparentemente era diminuída no dia-a-dia porque ela fala ‘eu preciso mostrar para o Lúcio que sou capaz, que consigo’, sempre querendo mostrar que poderia ser alguém. Isto é a prova que um feminicídio não acontece do nada.

Tem todo um relacionamento, tem uma violência, que se não há uma violência física, há uma violência psicológica por trás disso”, concluiu a delegada Eva Maira.