Maioria acha que casos de “vaca louca” poderão influenciar no preço da carne

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Exportações para a China, que representam cerca de 65% do mercado, já foram suspensas temporariamente

Maioria acha que a confirmação de casos de “vaca louca” no Brasil deverá afetar o preço de venda da carne bovina nos açougues. Enquanto 76% dos leitores que responderam enquete acreditam nessa hipótese, os outros 24% discordam.

Mundialmente conhecida após surto na década de 1980, no Reino Unido, a EBB (encefalopatia espongiforme bovina) acomete bovinos adultos de idade mais avançada e provoca a degeneração do sistema nervoso. Como consequência, uma vaca que, a princípio, era calma e de fácil manejo, por exemplo, se torna agressiva.

O Ministério da Agricultura confirmou dois casos da enfermidade em frigoríficos de Minas Gerais e Mato Grosso. Segundo a pasta, foi verificada “origem atípica” da doença, ou seja, que não teria sido causada por infecção, que poderia atingir mais animais. Ainda assim, o Brasil suspendeu exportações para a China, por conta de protocolo sanitário estabelecido entre os dois países.

Vale lembrar que os chineses representam maior parte das vendas que o País faz deste produto, cerca de 65%. Alguns especialistas têm dito, inclusive, que essa redução da demanda exterior pode afetar positivamente preços para o mercado interno – ou seja, pode haver uma pequena diminuição no valor do quilo da carne.

O comércio internacional de boi gordo na Bolsa de Valores do Brasil foi suspenso antes mesmo da confirmação do caso, e a arroba já despencou 4% no mercado internacional e ficou cotada a R$ 297,55.

Segundo o economista Eduardo Araújo, em entrevista ao jornal Folha de Vitória, o preço pode reduzir por conta do receio em consumir carne. “Se as pessoas deixarem de consumir a carne de boi e opte por consumir carne de frango, por exemplo, o preço da carne pode diminuir”. Ainda assim, as perdas dos produtores pode acarretar em elevações no preço. “No médio e longo prazo, casos as perdas de produção sejam muito grande e o produtor deseje tentar compensar as perdas que teve, o preço da carne pode subir”.

Em 20 anos de monitoramento da doença no Brasil, nunca foi identificado a forma tradicional da doença, que é quando o animal é contaminado por causa de sua alimentação.

Segundo o governo federal, não há risco de a carne estar infectada no Brasil, já que os casos descobertos aqui foram do tipo atípico, sem contaminação para outros animais. Atualmente, os dois bovinos diagnosticados com a doença foram abatidos e incinerados.

O que os leitores pensam – A leitora Malvina Lima acredita que se o mercado de exportações deixar de comprar as mercadorias brasileiras, o preço pode ficar menor para o bolso do brasileiro. “Se o mercado de fora boicota a nossa carne, assim vai sobrar para nós a um preço mais justo, coisa que todo governante sério deveria fazer – primeiro alimente seu povo, depois exporta”.

Já o leitor Gustavo Gonçalves acredita que isso não vai resultar em alterações significativas, já que os casos isolados já foram controlados. “Não vai dar em nada, porque os casos são isolados. A doença está contida e foi feito um monitoramento criterioso pelo governo federal, igualzinho devia ser feito na covid, mas pelo visto, o boi vale mais que gente”.

  • FONTE: CAMPO GRANDE NEWS