Primeira turma de Medicina da UEMS forma 47 médicos de 14 Estados

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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) realizou, nesta quarta-feira (21), a solenidade de Colação de Grau da 1ª Turma de Medicina desta Universidade que formou 47 médicos de 14 Estados brasileiros. A cerimônia ocorreu  em sistema de Drive In, no Estacionamento do Bloco A da Unidade Universitária de Campo Grande.

Dos formados na turma “Dr. Flávio Renato de Almeida Senefonte”, dezesseis são de Mato Grosso do Sul, doze de São Paulo, três de Minas Gerais, dois do Rio de Janeiro, um de Pernambuco, um de Tocantins, um da Bahia, dois de Goiás, dois de Mato Grosso, um de Rondônia, três do Paraná, um de Alagoas, um do Piauí e um do Maranhão. Trinta são do sexo feminino e dezessete do sexo masculino, sendo que três são cotistas indígenas e nove cotistas negros. Com esta configuração, a primeira turma se consolida como um Grupo que representa todos os Estados do país.

O curso, criado em 2015, teve o total de R$ 1, 5 milhão de investimento feito pelo Governo Estadual nos últimos anos, desde infraestrutura à contratação de docentes, passando pela aquisição dos materiais didáticos – livros e demais itens.

O Secretário de Estado, Eduardo Ridel, representando o Governador Reinaldo Azambuja, iniciou a sua fala agradecendo ao ex-reitor da UEMS, Fábio Edir dos Santos Costa, que esteve presente da cerimônia, por ter iniciado o processo da construção da Unidade de Campo Grande e do curso de Medicina.

E dirigindo-se aos formandos disse: “Vocês são especiais não só por serem a primeira turma, mas por trilharem um caminho de desafios e de conquistas. E estabelecerem na nossa Universidade Estadual o curso de Medicina! É uma responsabilidade enorme estar se formando nesse ano, ano marcado por fatores que afetam de deversas formas. E vocês tiveram a oportunidade em um convênio entre UEMS e o Governo do Estado com 25 municípios de poderem participar do ‘front’, no dia a dia, nas dificuldades desses municípios  durante o internato regional. Pela dedicação e comprometimento os Municípios agradecem”, enfatizou Ridel.

O reitor da UEMS, prof. Dr. Laércio Alves de Carvalho, ressalta o orgulho que sente da Universidade. “A UEMS está fazendo a diferença na vida das pessoas, e agora com os primeiros médicos formados pela nossa Universidade não é diferente. Temos muitos relatos disso, de casos como de vários secretários de saúde, dos prefeitos, dos pacientes, por onde os acadêmicos passaram pelo interior do estado, no nosso internato regional. O maior legado desse curso de Medicina da UEMS, salvar a vida das pessoas do primeiro ao sexto ano”, destacou Laércio.

O curso se estrutura em Módulos Temáticos construídos coletivamente, tendo o estudante “como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como facilitador e mediador do processo”, valendo-se das metodologias ativas de aprendizagem, particularmente a baseada em problemas e a problematização.

Paulo Correa, Presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), afirmou que esse é um momento histórico, “nós começamos este sonho lá atrás com o ex-reitor Fábio Edir. Vocês, formandos, são uma benção para o Mato Grosso do Sul. A UEMS é um orgulho para o nosso Estado!”, disse.

Dr. Mauro Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina, sul-mato-grossense e morador da Cidade Morena, destacou sobre o momento em que o mundo tem passado. “Nós estamos passando um momento único da história da humanidade, que é o momento de uma . E vocês, agora médicos formados, estavam no ‘front’. Nós já perdemos no Brasil 363 médicos, alguns dezenas de milhares foram infectados com o vírus, mas nós estamos lá a frente, com as equipes multiprofissionais e isso enaltece muito a medicina brasileira. O SUS (Sistema Único de Saúde) se provou neste momento, como um sistema robusto, como um sistema de maior capilaridade do mundo. Nosso país tem 215 milhões de habitantes, 156 mil pessoas morreram até agora, imagine se nós não tivéssemos o SUS! Então todas as vezes que criticarem o SUS nós – médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, profissionais da área de saúde – temos a obrigação de defender o SUS!”.

A Médica formada pela UEMS, Mariana Fuga, de 28 anos, natural de Franca, São Paulo, acredita que a experiência de formar em Medicina vai muito além da faculdade em si, envolve resiliência e muita abdicação. “Medicina é estar disposto a se ceder em prol do outro e fazer o melhor que estiver ao nosso alcance, seja em uma palavra ou na retirada de dor física. A medicina me abraçou para nunca mais soltar. Hoje concluo apenas uma etapa das diversas que estão por vir e me orgulho de ser médica pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul”, comemora.

Mateus da Silveira Cespedes, 25 anos, de São José do Rio Preto/SP, enfatiza sobre a importância da metodologia ativa do curso. “O curso me proporcionou muito conhecimento teórico específico acerca do corpo humano e das doenças. A metodologia ativa fez de mim uma pessoa mais aberta, mais desinibida, bastante proativa e principalmente, mais humana.”, disse o formado. Ele, ainda na faculdade, foi aprovado em primeiro lugar em concurso da saúde pública no interior de São Paulo.

A sul-mato-grossense, Isabela Furtado Vincensi, de 23 anos, natural de Campo Grande/MS, enfatiza que foram seis anos de muita luta, resiliência e experiências durante o curso, principalmente devido ao fato de sermos da primeira turma. “Esses fatores nos foram extremamente necessários para o amadurecimento e crescimento pessoal e profissional. Aprendemos com o tempo a lidar com nós mesmos e a olhar com mais empatia ao próximo, com mais zelo e cuidado. Esse momento se trata de uma conquista totalmente única e especial para a primeira turma, apesar de todas as adversidades do momento”, afirma.

Marcos Cruz Amaral, de 23 anos, de Goiânia, diz que o período do curso foi uma excelente experiência em sua vida. “Acredito que além do conhecimento técnico, o qual tivemos uma alta carga durante toda a faculdade; estivemos sempre cercados de professores que estavam sempre preocupados em formar médicos humanizados e eficientes”, lembra.

A alagoana, de Palmeira dos Índios, Palloma Duarte, de 23 anos, realizou o sonho de infância de se formar em Medicina. “A experiência do curso foi muito gratificante e enriquecedora. Tive  contato com os paciente e nos ambientes de atuação desde o primeiro ano, o que facilitou muito o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades como a comunicação”, disse.

Internato de Medicina

Em fevereiro de 2020 , Governo do Estado assinou um convênio com 25 municípios de MS para o internato regional dos acadêmicos de Medicina da UEMS. Durante o ano de 2020, os alunos do último ano de Medicina, ao todo 48, foram enviados para os municípios aos pares e ficaram no regime de internato por sete semanas, onde tiveram a experiência médica na prática de atendimento no interior do estado.  O internato é uma exigência do curso de Medicina da instituição e os convênios junto às Prefeituras foram coordenados por Leila Cardoso Machado, Assessora de Projetos Estratégicos da UEMS.

O coordenador do curso de Medicina da UEMS, Fábio Paes Barreto, relata que a colação de grau da primeira turma coroa todo um trabalho em um ano bastante difícil.

“É um momento de muita alegria, de júbilo não só do nosso corpo docente do curso de Medicina, dos alunos também como de toda a nossa comunidade acadêmica da UEMS. 2020 está sendo um ano desafiador. Por conta da pandemia tivemos uma paralisação no primeiro semestre, e a turma que se forma iria ficar prejudicada na sua formatura. Então utilizamos de uma medida provisória do Governo Federal que facultava os cursos de Medicina terem uma redução de 25% do internato no período de pandemia e no Conselho Estadual de Educação conseguimos homologar esse benefício para o nosso curso, o que garantiu essa formatura em tempo oportuno”, explicou Fábio Barreto.

Ele também ressalta que com a pandemia o internato dos 47 alunos em 25 municípios de MS tomou outra dimensão. “Os alunos ficaram mais tempo nos munícipios, o que garantiu a formatura deles. Ficaram sob as orientações dos médicos locais e também sob a supervisão dos professores presencial ou remotamente. Com isso garantimos o ensino de qualidade e a formação da primeira turma”, explicou o coordenador do curso de Medicina da UEMS. Com o final do internato em setembro, os alunos puderam realizar as provas teóricas e práticas para assim se graduarem.

Os municípios que participaram do convênio foram:  Amambai, Anastácio, Anaurilândia, Aquidauana, Aral Moreira, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caarapó, Cassilândia, Corguinho, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Inocência, Itaporã, Jaraguari, Jateí, Juti, Mundo Novo, Nioaque, Rio Negro, Rio Verde, Rochedo, Selvíria e Vicentina.