A partir de sábado toque de recolher começa às 4 da tarde nos finais de semana no MS

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Com quatro cidades com risco extremo de coronavírus, superlotação de leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 178 pacientes aguardando vagas ficarem disponíveis, Mato Grosso do Sul adotou novas medidas restritivas. Novo decreto restringe o funcionamento de comércios não essenciais de 26 de março a 4 de abril. Ou seja, atividades que não foram listadas pelo Governo de Estado não podem funcionar no período estabelecido.

O decreto que oficializa as ações vigentes a partir de 26 de março foi publicado em edição extra do DOE (Diário Oficial do Estado), nesta quarta-feira (24). As providências foram tomadas após deliberação entre a SES (Secretaria de Estado de Saúde) e prefeitos de MS

Assim, o Estado passa a permitir apenas atividades consideradas como essenciais e elencadas no decreto para funcionamento de 26 de março a 4 de abril. Além disto, o toque de recolher foi mantido das 20h às 5h em todos os municípios de MS, para vedação da circulação de pessoas e as atividades essenciais.

Aos finais de semana, domingo e sábado, foi adotada a restrição de circulação e funcionamento de estabelecimentos das 16h às 5h. São permitidas após os horários de toque de recolher atividades como: serviços de saúde, serviços de transporte, serviços de fornecimento de alimentos e medicamentos por meio de delivery, farmácias ou drogarias, funerárias, aos postos de combustíveis, indústrias, restaurantes instalados no interior de postos de combustíveis localizados em rodovias, hotéis e serviços congêneres.

Também são liberados: hipermercados, supermercados e mercados, dentre os quais não se incluem as
conveniências, sendo expressamente vedados o consumo de gêneros alimentícios e bebidas no local e o acesso simultâneo de mais de uma pessoa da mesma família, exceto nos casos em que for necessário acompanhamento
especial. Por fim, transportes intermunicipais.

Além disto, atividades listadas como liberadas para funcionamento devem seguir distanciamento mínimo de 1,5 metros e meio, atendimento do público com 50% da capacidade limite do estabelecimento e adoção do protocolo de biossegurança aplicável ao setor.

Mais detalhes das novas restrições podem ser conferidos diretamente no decreto, basta clicar aqui.

Estratégias em conjunto

As estratégias foram debatidas na última segunda-feira (22), em reunião com a SES, Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) e prefeitos de MS. A maior parte optou por tentar frear a pandemia do coronavírus no Estado, que já fez quase quatro mil vítimas fatais.

Foi cogitada a ‘lei seca’, que libera a venda de bebidas alcoólicas somente no sistema delivery. Entretanto, ao Jornal Midiamax, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, disse que deixaram “a decisão na mão de cada município”.

Sobre o encontro, apesar da divisão de opiniões, o secretário afirmou que foi produtiva e positiva. Ao final da reunião, foram compiladas as sugestões dos prefeitos e da SES. “Nós encaminhamos as sugestões para o pessoal a Consultoria Legislativa, que são eles que definem as que foram tomadas”, explicou.

‘Plantaram desobediência, colhem morte’

Apesar das novas medidas, o secretário destacou que novas restrições só podem salvar vidas e evitar tragédias se forem seguidas pela população. No entanto, os sul-mato-grossenses não estão mantendo as medidas recomendadas para frear a pandemia.

“Infelizmente a gente vê que há pouca adesão no Mato Grosso do Sul. O decreto em si, não só aqui, mas em outros estados, não está valendo nada. O nosso povo, com decreto ou não, tem desrespeitado a doença. O desrespeito das regras tem nos levado ao estágio do coronavírus está presente no Estado”, lamentou.

Assim, lembrou que MS passa por colapso de Saúde. No último domingo (21), o Estado atingiu 107% de superlotação dos leitos UTI Covid-19, o maior índice já registrado em MS e no Brasil. Na última terça-feira (23), a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicou levantamento apontando o Estado como maior lotação de leitos e indicou lockdown por pelo menos 14 dias.

Nesta quarta-feira (24), infectologistas de MS publicaram carta aberta alertando sobre os resultados que o descaso com a Saúde pública pode causar. Eles afirmam que se MS continuar com mil casos por dia de infecções, 150 dessas pessoas precisarão ser hospitalizadas. Além disto, destas, 50 precisarão ir para UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Lockdown por pelo menos 14 dias também foi citado como única alternativa.

“Estamos em colapso, são 178 pessoas na fila de espera para leitos Covid-19 e Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave)”, informou. Então, disse que se os cidadãos “desacreditam de todas as medidas que foram tomadas até agora, se não acreditam em tudo que temos alertado”, são parte da responsabilidade das tragédias. “Plantou desobediência e está colhendo morte. E a morte, infelizmente muitas vezes são pessoas que estavam em casa, obedecendo, mas a doença foi levada por mais jovens que saem e fazem festa clandestina”, finalizou.

FONTE: MIDIAMAX