MS conquista status de área livre de febre aftosa e comemora abertura de novos mercados para o Estado

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Mato Grosso do Sul terá status de área livre de febre aftosa sem vacinação a partir de 2023, ao concluir em novembro deste ano a última etapa para obter o título pelo Ministério da Agricultura. De acordo com o último levantamento do PNEFA (Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa), do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a campanha de imunização do rebanho bovino sul-mato-grossense deste ano será a última antes da certificação das autoridades sanitárias nacionais e internacionais. Isso, graças às ações do Comitê Estadual do PNEFA, realizadas pelo Governo do Estado por meio da Iagro (Agência de Vigilância Sanitária Animal e Vegetal) e Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

Para o Diretor Presidente da Iagro, Daniel Ingold, o compromisso e envolvimento do produtor aliado à competência dos profissionais da Iagro e da cadeia produtiva provou que todos os envolvidos não mediram esforços para elevar nosso Estado ao status de área livre de febre aftosa sem vacinação, auxiliando de forma crucial na realização das ações referentes ao Plano Estratégico do PNEFA 2017-2026.

O secretário Nacional de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal, afirmou que Mato Grosso do Sul torna-se área livre de febre aftosa sem vacinação, graças ao trabalho realizado pelo Governo do Estado e produtores. “Mato Grosso do Sul fez um grande investimento, cumprindo as metas do Ministério da Agricultura. Agora, está autorizado a vacinar pela última vez em novembro e a partir do ano que vem, pelo reconhecimento nacional, estarão livres da febre aftosa sem vacinação, e isso abrirá novos mercados e reduzir custos para os pecuaristas”, pontuou.

Para o governador Reinaldo Azambuja, isso é resultado de um trabalho que vem sendo realizado há anos pelo Governo do Estado, com investimentos em infraestrutura, tecnologia, capacitação dos servidores e ações sanitárias eficientes e rígidas. “Isso aumenta muito a competitividade dos nossos produtos, trazendo um novo perfil da agropecuária de Mato Grosso do Sul, nossos produtos serão mais valorizados lá fora, aquilo que é produzido aqui terá um valor agregado e toda a sociedade ganha com isso”, afirmou.

“Isso é resultado de um esforço conjunto e, com a retirada da vacinação a partir do ano que vem, Mato Grosso do Sul entra em outro patamar da pecuária nacional e mundial”, afirmou a ex-ministra da Agricultura, Teresa Cristina, ao participar da Expozebu, em Uberaba (MG), junto com o ministro da Agricultura Marcos Montes e do secretário Nacional de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal.

Mato Grosso do Sul integra o Bloco IV no Plano Estratégico 2017-2026 do PNEFA, que prevê a retirada total da vacinação no país até 2023. Outros seis estados do Bloco IV do PNEFA (DF, ES, GO, MG, MT, TO) também devem realizar, em novembro de 2022, suas últimas campanhas de imunização contra a aftosa. Os estados da Bahia, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo, até o momento, ainda não atingiram os indicadores necessários para retirada da vacinação.

O trabalho da ex-ministra da Agricultura, a deputada federal Tereza Cristina, foi lembrado pelo Secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme. “Acho que essa data de hoje, após um longo trabalho que a ministra Tereza Cristina fez no Ministério nos podemos anunciar isso, colocando MS como livre de febre aftosa sem vacinação e é um prazer estar anunciando ao lado da ministra Tereza”.

“Com o esforço conjunto de todos, estamos anunciando a retirada da vacina, depois encaminhar pra OIE e depois se Deus quiser, caminhar para área livre de aftosa sem vacinação entrando num novo patamar da pecuária nacional e mundial”, afirmou a deputada federal Tereza Cristina.

“Nos últimos dois anos, intensificamos as ações do Comitê Estadual do PNEFA. O ministério avalia um conjunto de 29 itens, com uma série de ramificações. Hoje, nosso trabalho de fiscalização e prevenção, realizado por meio da Iagro, encontra-se em outro patamar. Instituímos um fundo público e um fundo privado para as ações de combate e prevenção à doença. Vamos realizar concurso público para contratação de novos profissionais, renovamos toda a frota de veículos utilizados na fiscalização e, por fim, publicamos há poucos dias o nosso programa de vigilância na fronteira, que é o Lobo Guará”, comentou o secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

O secretário Jaime Verruck também destacou a atuação da equipe do Ministério. “Agradeço a toda equipe do Mapa e SFA/MS. Foi um trabalho conjunto, o Brasil tomou uma decisão estratégica importante quando criaram o PNEFA. Tivemos uma grande parceria. O governo estadual se empenhou. Em momento algum, o governador  Reinaldo Azambuja negou recursos. Esse é um dia histórico para a pecuária brasileira e sul-mato-grossense. Se reposicionando na pecuária internacional”.

De acordo com os dados apresentados pelo Mapa, Mato Grosso do Sul atingiu a pontuação 3,3 no Quali SV, a segunda melhor dentre os estados do Bloco IV do PNEFA e se credenciou para a retirada da vacinação contra a febre aftosa. O Quali SV (Programa de Avaliação e Aperfeiçoamento da Qualidade dos Serviços Veterinários Oficiais) foi instituído pela Instrução Normativa N.º 27, de 17 de julho de 2017. É uma metodologia de vigilância por quadrantes, utilizada pelo PNEFA.

O ‘redimensionamento da Vigilância Sanitária por Quadrante’ mapeia os municípios em quadrantes, redimensionando-os geograficamente, e faz a classificação de risco de cada quadrante, possibilitando o planejamento anual das atividades das Unidades Locais por meio da análise de imagens de satélite, mapas e históricos de eventos sanitários. Definido o perfil epidemiológico e a quantidade de visitas por ano, o método estabelece as prioridades, define o calendário de execução das atividades e projeta os custos operacionais.

Plano Estratégico do PNEFA

O Plano Estratégico do PNEFA tem como objetivo principal “criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre da febre aftosa e ampliar as zonas livres de febre aftosa sem vacinação, protegendo o patrimônio pecuário nacional e gerando o máximo de benefícios aos atores envolvidos e à sociedade brasileira”.

De acordo com o governo federal, ele foi delineado para ser executado em um período de 10 anos, iniciando em 2017 e encerrando em 2026. Está alinhado com o Código Sanitário para os Animais Terrestres, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e com as diretrizes do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA), convergindo com os esforços para a erradicação da doença na América do Sul.

Um dos seus objetivos é a substituição gradual da vacinação contra a febre aftosa, em todo o território brasileiro, que implica na adoção de diversas ações a serem desenvolvidas em âmbito municipal, estadual e nacional, com o envolvimento do Serviço Veterinário Oficial (SVO), setor privado, produtores rurais e agentes políticos.

Paulo Yafusso (Subcom), Marcelo Armôa e Rosana Siqueira, (Semagro)

FONTE: IAGRO