Morre Diego Maradona. Se é que Diego Maradona morre

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O título é inspirado na antológica manchete feita pelo jornalista Jovem Gui na morte do pintor Pablo Picasso. Gênios rigorosos da raça merecem estar lado a lado

Acordei bem cedinho nesta manhã de quarta-feira (25), mas deixei, por toda a manhã e os primeiros momentos da tarde, as janelas fechadas, os barulhos radiofônicos e televisivos desligados e o quarto em breu absoluto por conta de uma dor de cabeça infernal que insistiu em visitar-me apesar de não ter sido convidada em nenhum momento.

Ao consultar as mensagens do WhatsApp, resolvi dar uma esticada na internet e… Morre Diego Armando Maradona.

Olhei para frente e a janela estava no mesmo lugar.

Desci a escada, abri a porta da cozinha e Abigail, minha labrador amada, roncava plácida como sempre, derretida no cimento com o barrigão de lado.

Voltei ao celular e… Morre Diego Armando Maradona. Sessenta anos.

A polêmica sobre se Diego Armando Maradona jogou mais ou menos do que Pelé, Messi, Di Stefano, Garrinha ou o escambau de Madureira a quatro passa a não ter a mais remota importância.

Não há igualmente a menor importância lembrar agora do simbolismo daqueles dois a zero sobre as Malvinas Britânicas, com la mano de Dios e otras cositas más. Os pés e as mãos de Deus estão agora com Ele.

Diego Armando Maradona, o jogador somado à personagem, foi o maior ser vivo da história do futebol.

Depois do vácuo de pensamento e da certificação de que a janela permanecia no mesmo lugar e de que Abigail, do alto de seus 13 anos, ainda resistia a continuar dando-me trabalho, consegui lembrar-me da antológica e histórica manchete feita pelo saudoso jornalista Guilherme Cunha Pinto, chamado por seus amigos de Jovem Gui, na morte do pintor Pablo Picasso: “Morre Picasso. Se é que Picasso Morre”.

Jovem Gui tascaria hoje: Morre Maradona. Se é que Maradona morre.

Fonte: R7