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‘Persona non grata’ e embaixador convocado: quais as consequências para o Brasil após fala de Lula sobre Israel

Presidente comparou os ataques de Israel em Gaza ao holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus — período em que mais de 6 milhões de pessoas foram exterminadas.

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparando as ações contra palestinos em Gaza ao holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus (período em que mais de 6 milhões de pessoas foram exterminadas) teve ações e reações imediatas.

O governo israelense submeteu o embaixador brasileiro em Tel Aviv a uma reprimenda pública. Em seguida, declarou Lula “persona non-grata” (ou seja: pessoa que não é bem-vinda em Israel). Em resposta, horas depois, Lula convocou o embaixador Frederico Meyer de volta ao Brasil.

Em entrevista ao podcast O Assunto deste terça-feira (20), Guilherme Casarões, cientista político e professor de relações internacionais da FGV-SP, disse não acreditar que Israel vá cortar relações com o Brasil.

“Eu sou muito cético sobre em que medida Israel consegue sustentar uma oposição, por exemplo, de agravamento às relações diplomáticas a ponto de romper laços com Brasil. Eu acho que isso não vai acontecer.”

E avaliou que Lula “levantou uma bola” para Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, “cortar”.

“A fala do Lula levantou uma bola para o Netanyahu cortar.”

Lula durante visita oficial à Etiópia — Foto: Reprodução/ g1

Lula durante visita oficial à Etiópia — Foto: Reprodução/ g1

Para Casarões, a fala de Lula também deu margem para que Netanyahu explorasse estranhamentos que já tinha com o atual governo brasileiro.

“E é claro que ele ia explorar. Ele já tinha uma série de desencontros com com presidente Lula desde o 7 de outubro [dia do ataque do Hamas] por declarações que o Lula deu e por posturas que o Brasil assumiu no Conselho de Segurança da ONU.”

“Então, a gente vê também uma certa continuidade desse estranhamento que culmina nessa mensagem muito forte que é, basicamente, dar uma aula de história. Esse foi o recado que o governo de Israel quis dar o governo brasileiro.”

G1

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