Polícia analisa celulares de advogado, vítimas de suposto abuso e de avó que também foi presa pelo crime

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Delegada de MS diz que aguarda decisão judicial para começar a manusear os seis aparelhos e também ressaltou que mensagens apagadas devem ser recuperadas pela perícia.

A Polícia Civil vai analisar seis celulares no decorrer do inquérito que apura a suposto abuso sexual envolvendo o advogado de 44 anos e as crianças de 11, 12, além da adolescente de 15 anos.

Segundo a delegada Joilce Ramos, responsável pelas investigações, dois aparelhos pertencem ao suspeitos e os demais são das vítimas e também a avó delas, que permitia os encontros e está presa pelo crime, ainda conforme a polícia.

“Uma das vítimas, em depoimento ao Conselho Tutelar, disse que ele [advogado] sempre mandava mensagens para a avó, dizendo que estava indo pegar as meninas. A investigação aponta que ele confirmava sempre com a avó antes de ir buscá-las e também conversava com as crianças e a adolescente por WhatsApp”, afirmou ao G1 a delegada.

A delegada diz que aguarda decisão judicial para analisar o conteúdo dos aparelhos e, o que estiver apagado, deve ser enviado para perícia, em Campo Grande.

Advogado foi preso na quinta abordagem

A investigação aponta que, há pelo menos seis meses, já monitorava o comportamento do advogado. Ele foi preso em flagrante na última terça-feira (24), em Anastácio, a 140 quilômetros de Campo Grande.

“Ele [advogado] estava bem esperto e sabia que corria esse risco, de ser abordado com as vítimas dentro do carro, então nunca ia pela ruas principais da cidade. Ele fazia ziguezagues e, em uma destas ocasiões, nós o perdemos de vista. Mas, neste flagrante, nós percebemos que ele ficou 20 minutos na casa e depois saiu com as vítimas, momento em que eu pedi apoio e houve a abordagem”, explicou Ramos na ocasião.

As supostas vítimas, de 11, 12 e 15 anos, foram encaminhadas para um abrigo e devem passar por exame de corpo de delito nos próximos dias. A polícia tem 10 dias para concluir o inquérito, por conta do flagrante.

Além do advogado, os pais e avós das crianças estão presos. Somente os pais da menina de 15 anos, que moram atualmente em Bodoquena, não foram presos. Eles alegaram que não sabiam dos fatos, mas, a polícia diz estar investigando.

Questionado sobre os fatos, o advogado nega qualquer envolvimento com as três meninas. As possíveis vítimas, no entanto, comentam que o suspeito as tocava nas partes íntimas.

Pais e avós recebiam dinheiro

Segundo a polícia, a prisão dos pais e mais quatro avós ocorreu porque eles davam consentimento e ainda recebiam dinheiro para permitir o homem a cometer os crimes sexuais.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) informou que está ciente do crime e em breve irá se posicionar por meio de nota.

Conforme a delegada, após ser detido, o advogado foi encaminhado para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM). Ele confessou que saia com as meninas há cerca de 2 meses, mas, em depoimento, o avô das menores relatou que os encontros começaram há 2 anos. No momento da abordagem, ele bebia cerveja e as supostas vítimas também ingeriam outra bebida alcoólica.

Quatro avós e os pais das menores vão responder pelo crime de submeter criança e adolescente à prostituição com agravante de pena por serem responsáveis. Segundo a delegada, todos eram beneficiados com os abusos sexuais. Já o advogado vai responder pelos crimes de estupro de vulnerável, submeter criança e adolescente à prostituição e também por dirigir embriagado.

FONTE:G1MS